O que colocar no currículo: cada parte, com exemplos
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Escrito com apoio de inteligência artificial a partir de uma entrevista com o autor, que revisou e aprovou o texto.
O que colocar no currículo
Um currículo tem seis partes:
- Contato: nome, telefone, e-mail, cidade e LinkedIn.
- Resumo: duas ou três frases sobre o que você faz e que vaga procura.
- Experiências: cargo, empresa, datas e o que mudou por causa do seu trabalho.
- Formação: curso, instituição e ano.
- Habilidades: ferramentas, sistemas e idiomas, com o nível real.
- Extras: cursos, certificações e voluntariado.
A lista é a parte fácil, e é igual em qualquer guia. O que trava é o conteúdo de cada parte: o que escrever quando você acha que "não fez nada de mais". Este guia trata disso, parte por parte. Se preferir montar respondendo a perguntas, dá para montar o currículo conversando, de graça.
Contato: o que entra e o que fica de fora
Entram nome completo, telefone, o e-mail que você usa para vagas, a cidade e, se tiver, o link do LinkedIn. É o que o recrutador precisa para chamar você.
Ficam de fora números de documento, como RG e CPF, e a pretensão salarial, a não ser que a vaga peça, como orienta o guia de currículo da Unifor. Endereço completo e estado civil também podem sair: o blog da Vagas.com os lista entre as informações pessoais desnecessárias. A cidade basta.
Resumo: duas ou três frases sobre o que você faz e o que procura
O resumo responde a duas perguntas: o que você faz (ou fez) de trabalho e que tipo de vaga está buscando. Um exemplo de resposta: "sou vendedora há 3 anos e quero uma vaga de vendas com chance de liderar equipe". Disso sai um resumo de duas ou três frases.
Deixe de fora os adjetivos que você não sustentaria numa entrevista, como "proativa", "dinâmica" e "especialista". O que convence é o fato: há quanto tempo, em quê, com que resultado.
Experiências: o que você fez e o que mudou por sua causa
Para cada trabalho, coloque cargo, empresa e as datas de início e fim, do mais recente para o mais antigo. Embaixo, as linhas do que você fez. É aqui que mais vejo currículo raso: lista a função, sem resultado, e para.
Duas perguntas tiram o conteúdo que falta:
- O que você fazia no dia a dia? Conte do seu jeito, como contaria a um amigo. Por exemplo: "atendia os clientes, organizava o estoque e ajudava a fechar o caixa".
- Teve algum resultado que dá para medir? Uma meta batida, um elogio, algo que melhorou por sua causa. Por exemplo: "bati a meta em 8 dos 12 meses" ou "fui vendedora do mês duas vezes". Se não lembrar, tudo bem: a linha do dia a dia, bem escrita, já sustenta a experiência.
A linha rasa e a completa
Eu já escrevi uma linha rasa no meu currículo. Como consultor de franquias, coloquei:
| Linha rasa | O que ela escondia |
|---|---|
| Carteira com 76 franquias | Carteira com 76 franquias na metade sul do Rio Grande do Sul, com faturamento de R$ 1,5 milhão por mês |
A primeira diz quantas. A segunda diz onde e quanto, e é isso que dá ao recrutador a dimensão do trabalho. Na minha visão, isso vale para todo mundo, em qualquer cargo e nível de experiência: quanto mais bem escrito, melhor a impressão de quem está lendo.
Uma regra para os números: coloque só os seus. Se você não lembra o valor exato, a estimativa continua estimativa: "uns 12%" vira "cerca de 12%", nunca "12%". O recrutador pode perguntar sobre cada número, e o que você falar na entrevista precisa bater com o que está escrito. Para isso, vale ler o que falar na entrevista.
Por que conversar ajuda
Numa conversa, você conta o que fazia, e a pergunta seguinte puxa o contexto e o resultado. Construí a entrevista do construtor do Currículo Certo para isso: numa conversa, saem linhas muito mais profundas.
O construtor faz essas perguntas uma por vez e escreve as linhas a partir das suas respostas. As frases novas passam por uma conferência contra o que você respondeu, e números que você não disse são retirados. É grátis, não usa crédito e dá para baixar o PDF sem criar conta.
Sem experiência: o que conta
Se você nunca teve carteira assinada, a seção de experiências não fica vazia. Conta o que você já fez: cursos, projetos da escola ou da faculdade, voluntariado, trabalho informal. Ajudar na loja da família nos fins de semana é trabalho. Um projeto de feira de ciências ou o TCC mostram o que você sabe fazer.
As mesmas duas perguntas valem: o que você fazia e o que saiu disso. "Atendia os clientes da loja da minha tia aos sábados" já é uma linha de experiência.
Formação e cursos: onde cada um entra
Na formação, coloque o curso, a instituição e o ano.
Cursos e certificações entram à parte. No construtor do Currículo Certo, eles ficam em Extras, junto com o voluntariado. Coloque os que têm a ver com a vaga, não todos os que você já fez.
Habilidades: ferramentas e idiomas, com o nível real
Não existe uma lista oficial de 7 ou 10 habilidades para o currículo. As listas que circulam mudam de site para site. As que contam são as que a vaga pede e que você tem de verdade.
Liste as ferramentas, os sistemas e as habilidades que você usa no trabalho, como "Excel, sistema de caixa, atendimento ao cliente". Ferramenta com nome diz mais do que adjetivo: "Excel (tabelas dinâmicas)" mostra o que você sabe fazer, "proativo" não mostra nada.
Coloque o idioma com o nível que você tem de verdade. Se a vaga pedir inglês avançado e você tiver o intermediário, a entrevista vai mostrar.
Se achar que tem pouco, pense no que parece básico: o sistema da loja, a planilha que você preenchia, o atendimento por telefone. A entrevista do construtor pede pelo menos três e, se faltar, insiste: "mesmo que pareçam básicas".
O que tirar do currículo
- Documentos e dados pessoais demais: RG, CPF, estado civil e endereço completo.
- Pretensão salarial, a não ser que a vaga peça.
- Frase pronta. Não existe a melhor frase para pôr no currículo: "Busco novos desafios" serve para qualquer pessoa, por isso não diz nada sobre você. A melhor frase é a sua, com o que mudou por causa do seu trabalho.
- Número que não é seu. O molde com porcentagem pronta, do tipo "aumentei as vendas em X%", serve de exemplo de formato, não para copiar.
- O que não tem a ver com a vaga. O guia da Unifor recomenda no máximo duas páginas. Se passar disso, corte o que não pesa para a vaga.
O currículo completo é a base, não o que vai para cada vaga
Tudo o que está acima monta o seu currículo base: o currículo completo, com todas as experiências, cursos e habilidades. Ele não é o que você manda para todas as vagas. Cada vaga pede uma coisa, e a versão que vai para ela destaca o que pesa ali. Escrevi sobre isso em personalizar o currículo para cada vaga.
A minha dica para quem está montando o currículo hoje é essa ordem: primeiro monte uma base forte, depois otimize para a vaga que você quer. No Currículo Certo, o currículo montado no construtor, guardado na sua conta, vira a base, e dali você o otimiza para cada vaga. Quando você marca o envio, o sistema guarda qual versão foi para qual vaga. Quando o recrutador ligar, semanas depois, você sabe o que enviou.
Se você já tem um currículo, comece por ele: veja como otimizar o currículo para cada vaga.